segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ontem à tarde eu estava voltando de Maria Farinha com mamãe e Renan, meu sobrinho de quinze anos.
 
Eu vinha dirigindo calada, ouvindo a transmissão do final do Clássico dos Clássicos pelo rádio. Estava muito chateada porque o Sport estava perdendo para o Náutico por dois a zero. O jogo já estava mais ou menos nos quinze minutos do segundo tempo quando notei que os poucos carros à minha frente na estrada estavam reduzindo a velocidade, aparentemente tentando desviar de alguma coisa no solo. No acostamento do lado direito, um pequeno aglomerado de pessoas também olhava para o meio do asfalto.

Apreensiva, também diminuí a velocidade. Foi aí que vi o corpo de um cãozinho cinzento e peludo estendido no meio da estrada, a boca completamente aberta num último esgar de susto e dor. Sem pensar, esquecendo até de ligar a sinalização de parada, direcionei o carro o mais lentamente que pude para o acostamento à direita.

Enquanto manobrava, com a mão esquerda para o lado de fora da janela eu sinalizava para que os carros que vinham atrás  também diminuíssem a marcha e vissem o corpo do animal no chão. Por mais que estivesse morto, eu não queria que o seu corpo fosse estraçalhado e destruído pelos veículos que passavam, rapidamente se transformando numa massa disforme e bizarra.

Parei o carro e desci descalça mesmo, sentindo a rudeza do asfalto machucar os meus pés. Inadvertidamente, mal olhava para os carros que passavam. Minha atenção estava focada em proteger o pobre ser estendido ali a poucos metros de onde eu me encontrava. Do outro lado da via, uma mulher olhava para mim e gritava para que eu pudesse ouvi-la.  Ela estava na frente do que parecia ser a sua casa e gesticulava com as mãos, esfregando os dois indicadores. Ela dizia:

- Marido e mulher. Marido e mulher.

Eu não estava entendendo nada. De repente percebi que ela apontava enfaticamente para o acostamento atrás de mim, onde algumas pessoas observavam tudo. Para minha desolação, um outro cachorro estava deitado ali ao lado, sendo observado por gente incapazs de tomar uma iniciativa para ajudá-lo. Ele tinha o pelo castanho dourado meio tigrado, lembrando a cor de uma castanha do Pará.  Nas extremidades das patas, o pelo era branquinho, assim como era branca uma parte logo abaixo do pescoço.

O animal estava com os olhos bem abertos, parecendo extremamente amedrontado. Havia sangue no chão de terra bem abaixo do seu focinho machucado e eu percebi que havia também um corte  pequeno no meio da sua testa, entre os olhos. Ele não se mexia, exceto pelos tremores constantes.  Eu me perguntava qual poderia ser a extensão das lesões provocadas pelo atropelamento.

Mamãe achava que ele tinha quebrado uma pata. Aquilo me deixou ainda mais preocupada. Pata quebrada? Isso significava dor lancinante, dificuldade para locomovê-lo sem sedação, e, muito mais preocupante, dependendo do desenrolar daquela história, a dificuldade em conseguir um adotante para ele.

Minha cabeça estava a mil. Ainda atordoada, voltei minha atenção  novamente para o corpo no  meio da pista e vi que dois rapazes estavam retirando o bichinho do lugar onde ele havia sido atingido. Eles estavam carregando o corpo pelas patas, um segurando as dianteiras, outro as traseiras. Fiquei aflita porque aquela não me parecia a melhor maneira de carregar alguém atropelado. Mesmo que já estivesse morto, meu Deus, eu achava que o cachorrinho merecia um tratamento melhor do que aquele que lhe estava sendo dispensado.

Marido e mulher.

Naquele instante percebi o que a senhora do outro lado da pista estava tentando dizer. O cãozinho morto era uma fêmea, ao passo que o outro estendido ali perto era um macho.
Pelo que pude entender, os dois eram amigos, namorados ou... marido e mulher!

Agora que os meninos tinham deixado o corpo inerte da peludinha num canto, a mulher tinha atravessado a rua e agora chutava aquele corpo sem vida. Não era um chute com maldade. Era, sim, o chute de uma pessoa com pouca sensibilidade, que averiguava se daquele corpo sairia alguma reação. Eu estava ficando quase louca de exasperação. Precisava ser pelo menos duas naquele momento, uma para cuidar do machinho ferido e outra para orientar aquela criatura humana que não parava de cutucar a pobre cadela morta. Pedi que por favor ela parasse de chutar daquele jeito e a mulher me deu uma olhada cheia de estranheza e abobalhamento. Fiz um esforço para falar delicadamente e expliquei que às vezes, apesar da aparência,  o animal na verdade não está morto, está apenas numa espécie de coma.

Enquanto isso o machinho atropelado continuava praticamente imóvel, apenas mexendo os olhos para lá e para cá, cheio de medo e tremendo sem parar. Comecei a perguntar aos rapazes e meninos que me rodeavam se eles sabiam quem era o dono dos animais. Segundo eles, a cadelinha era “de um homem ali que não ligava para ela” - claro que ele não ligava para ela! -, e o macho vivia perambulando com ela pelas nas redondezas, mas eles não sabiam se tinha dono.

Encaminhei-me para o carro. Eu precisava fazer alguma coisa.

- Renan, continua dois a zero?!

Ele balançou a cabeça afirmativamente, sem olhar para mim. Peguei uma manta que cobria o assento do banco traseiro e voltei para o lugar onde estava o atropelado. Uma coisa é certa: meus carros têm que ter capa para proteção dos bancos! Eu nunca sei o que pode acontecer, nem quando. Tenho que providenciar isso o mais rápido possível.

A mulher agora balançava a cadelinha morta puxando-lhe grosseiramente as patas dianteiras para um lado e para o outro. Mais parecia que ela estava pegando uma galinha morta, preparando-se para cortá-la em pedaços antes de temperá-la na cozinha. Gritei novamente com ela, pedindo que parasse de fazer aquilo.  Afinal,  eu não conseguia entender o que a mulher pretendia com aquilo.

Beirando o desespero, agachada junto ao cãozinho, levantei os olhos para a minha platéia, que agora tinha diminuído sensivelmente – a maioria tinha voltado a jogar bola no campinho  ali perto.

Ainda analisando os rostos que me fitavam com curiosidade, comecei a fazer a proposta costumeira nessas ocasiões:

- Se eu levar o cachorrinho e tratar dele, será que alguém daqui pode adotá-lo?

Movimentos de cabeça indicando dúvida e titubeação.

- Gente, eu não posso levá-lo comigo.

- Então traga ele de volta e deixe por aqui mesmo – respondeu um dos rapazes.

- É, talvez eu precise fazer isso mesmo. – falei. – Mas imaginem tirar uma criança da rua, dar a ela tratamento, abrigo, comida e amor, e, depois que ela estiver recuperada, simplesmente devolvê-la às ruas. Não é fácil.

Todos pareceram entender e concordar. Mas ninguém se prontificava a ajudar de verdade, ninguém trazia uma palavra que me desse a esperança de conseguir ajuda. O que eu não podia era ficar ali. Atarantada, voltei ao carro para decidir onde acomodaria o bichinho. A mala estava lotada. Ele teria que ir no banco de trás, com mamãe.

Voltei para perto do cachorrinho e, nessa hora, os rapazes mais velhos voltaram a fazer parte do grupo. Perguntaram se eu ia levá-lo. Respondi afirmativamente. Imediatamente, eles tomaram para si a tarefa de me ajudar a carregar o ferido. Foram todos uns amores.

Numa última tentativa de solucionar a questão, falei que provavelmente teria que trazê-lo de volta dentro de alguns dias e que precisaria contar com a ajuda de todos eles. Vendo minha fisionomia aflita e angustiada, eles disseram que eu poderia procurar por eles ali no campinho de futebol, pois todas as tardes eles estão batendo bola por ali.

Carregamos o pacotinho para o carro. O bichinho se deixou levar sem um gemido ou arreganhar de dentes. E olhe que devia estar com muita dor.

Já no carro, fui dirigindo e tentando imaginar um nome adequado para ele. O jogo continuava e o Sport não  conseguia se acertar, continuava apanhando do seu arqui-rival. O único nome que me vinha à mente era Kieza. Kieza, Kieza, Kieza! Mas eu não achava certo batizar meu novo amigo com o nome do artilheiro do adversário. Procurei um nome adequado entre o plantel do Sport, mas nenhum se encaixava direito.

Em certo momento, mamãe pediu que eu olhasse para trás. Enternecida, ela mostrava como o cãozinho tinha se aninhado com a cabeça no colo dela. Ele parecia bem mais tranquilo e seguro agora.  De alguma forma, ele tinha compreendido que estava protegido.

Foi aí que Renan, que também tinha se virado para olhá-lo, falou:

- O nome dele devia ser Harry Potter, por causa desse ferimento na testa, que vai deixar uma cicatriz como a do Harry.

De fato, o atropelamento tinha lhe deixado uma ferida pequena na testa, um pouquinho acima do espaço entre os olhos.

Muito bem. Um detalhe a menos com que me preocupar. O nome ele já tinha. Mas resolvi que seria apenas Potter, para que ele se acostumasse mais rapidamente com o som cada vez que fosse chamado.

Taciturna, fiz o resto do caminho até casa alternando meus pensamentos entre a decepção com o meu time e a preocupação com mais essa criatura que eu estava levando para tratar.

Puxa vida! E se eu não tivesse ido ver o meu tio doente em Maria farinha? E se eu não tivesse saído mais cedo, tivesse esperado pelo final do jogo? E se eu tivesse feito o outro caminho, indo pela beira-mar?

Ora, é verdade que talvez eu tivesse me poupado de mais uma situação estressante. Mas e ele, o Potter? O que teria sido dele? Será que alguém teria tomado alguma atitude para ajudá-lo?

Não, foi bom mesmo que eu estivesse passando por ali naquela hora. Vou me aperriar um bocado, vou ter algumas noites de sono agitado,  mas estou feliz de ter podido diminuir o sofrimento da pobre criaturinha.

Chegando a casa, acomodamos Potter num pequeno oitão coberto da casa de mamãe. Ele ainda estava meio desconfiado, mas não deu qualquer trabalho. Não quis comer, mas eu não insisti, deixei-o sozinho para que se ambientasse melhor. Percebi que estava cheio de carrapatos, e isso foi uma preocupação a mais no meu juízo.  Não posso ficar expondo meus próprios filhotes a esses parasitas, e uma praga de carrapatos é tudo de que eu não preciso agora.

Antes de ir dormir, fui ver Potter mais uma vez. Dessa vez ele comeu um pouco de ração. Fiquei alisando sua cabeça com carinho e ele começou a emitir um sonzinho de satisfação. Cada vez que eu parava, ele puxava graciosamente minha mão com sua pata, pedindo que eu continuasse com os afagos.

Hoje de manhã, aproximei-me do cantinho no oitão onde tinha deixado uma caixa de papelão para servir de abrigo para ele e chamei o seu nome. Ele levantou todo alegre, andando normalmente e balançando o rabo fino. Foi um alívio constatar que suas patas estavam perfeitas.

No meio da manhã, saí para comprar sabonete contra carrapatos e um carrapaticida para pulverizar no ambiente. Esperei o dia esquentar e me preparei para dar um bom banho em Potter. Ele é um doce de cachorrinho,  não esboça qualquer agressividade. Ficou ali tremendo de frio, me olhando com um olhar agradecido, apesar de tudo. É engraçado como ele praticamente entende o que eu falo e como já atende pelo novo nome.

Agora preciso correr na divulgação de Potter. Tenho que vaciná-lo e castrá-lo o mais rápido possível. Não tenciono deixá-lo naquela estrada novamente, a não ser que seja absolutamente necessário.
Não posso largá-lo ali depois de tê-lo feito experimentar carinho, cuidados e atenção. Depois de dar a ele comida numa vasilha limpa e decente. Depois de preparar um lugarzinho quente forrado com papelão para que ele não sinta frio à noite.

Mas a razão me diz que eu também não posso ficar com Potter. Peço a Deus  que me ajude a arrumar alguém que tenha muito amor para dar a ele, alguém que conheça o valor da amizade sincera de um cão e que permita que esse cachorrinho especial possa demonstrar toda a gratidão de que é capaz.



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Potter - Atropelado e viúvo


Ontem à tarde eu estava voltando de Maria Farinha com mamãe e Renan, meu sobrinho de quinze anos.
  
Eu vinha dirigindo calada, ouvindo a transmissão do final do Clássico dos Clássicos pelo rádio.
Estava muito chateada porque o Sport estava perdendo para o Náutico por dois a zero. O jogo já estava mais ou menos nos quinze minutos do segundo tempo quando notei que os poucos carros à minha frente na estrada estavam reduzindo a velocidade, aparentemente tentando desviar de alguma coisa no solo. No acostamento do lado direito, um pequeno aglomerado de pessoas também olhava para o meio do asfalto.

Apreensiva, também diminuí a velocidade. Foi aí que vi o corpo de um cãozinho cinzento e peludo estendido no meio da estrada, a boca completamente aberta num último esgar de susto e dor. Sem pensar, esquecendo até  de ligar a sinalização de parada, direcionei o carro o mais lentamente que pude para o acostamento à direita.

Enquanto manobrava com a mão direita, com a esquerda para fora do carro eu gesticulava pedindo para que os motoristas que vinham atrás  também diminuíssem a marcha e pudessem ver o animal no chão. Por mais que estivesse morto, eu não queria que o seu corpo fosse estraçalhado e destruído pelos veículos que passavam, transformando-o rapidamente numa massa disforme e bizarra.

Parei o carro e desci descalça mesmo, sentindo a rudeza do asfalto machucar os meus pés.
Inadvertidamente, mal olhava para os carros que passavam. Minha atenção estava focada em proteger o pobre ser estendido ali a poucos metros de onde eu me encontrava. Do outro lado da via, uma mulher olhava para mim e gritava para chamar a minha atenção. Ela estava na frente do que parecia ser a sua casa e gesticulava com as mãos, esfregando os dois indicadores. Ela dizia:

- Marido e mulher! Marido e mulher!

Eu não estava entendendo nada. De repente percebi que ela apontava enfaticamente para o acostamento atrás de mim, onde algumas pessoas observavam tudo. Para minha desolação, um outro cachorro estava deitado ali ao lado, sendo observado por gente incapaz de tomar uma iniciativa para ajudá-lo. Ele tinha o pelo castanho dourado meio tigrado, lembrando a cor de uma castanha do Pará. Nas extremidades das patas, o pelo era branquinho, assim como era branca uma parte logo abaixo do pescoço.

O animal estava com os olhos bem abertos, parecendo extremamente amedrontado. Havia sangue no chão de terra bem abaixo do seu focinho machucado e eu percebi que havia também um corte pequeno no meio da sua testa, entre os olhos. Ele não se mexia, exceto pelos tremores constantes.
Eu me perguntava qual poderia ser a extensão das lesões provocadas pelo atropelamento.

Mamãe achava que ele tinha quebrado uma pata. Aquilo me deixou ainda mais preocupada.
Pata quebrada?!  Isso significava dor lancinante, dificuldade para locomovê-lo sem sedação,
e, muito mais preocupante, dependendo do desenrolar daquela história, a dificuldade em conseguir um adotante para ele.

Minha cabeça estava a mil. Ainda atordoada, voltei minha atenção  novamente para o pequeno corpo no meio da pista e vi que dois rapazes estavam retirando o bichinho do lugar onde ele havia sido atingido. Eles estavam carregando o corpo pelas patas, um segurando as dianteiras, outro as traseiras. Fiquei aflita porque aquela não me parecia a melhor maneira de carregar alguém atropelado. Mesmo que já estivesse morto, meu Deus, eu achava que o cachorrinho merecia um tratamento melhor do que aquele que lhe estava sendo dispensado.

Marido e mulher.

Naquele instante percebi o que a senhora do outro lado da pista estava tentando dizer.
O cãozinho morto era uma fêmea, ao passo que o outro estendido ali perto de mim era um macho.
Pelo que pude entender, os dois eram amigos, namorados ou... marido e mulher!

Depois que os meninos tinham deixado o corpo inerte da peludinha num canto, a mulher tinha
atravessado a rua e agora chutava aquele corpo sem vida. Não era um chute com maldade.
Era, sim, o chute de uma pessoa com pouca sensibilidade, que averiguava se do animal atropelado sairia alguma reação. Eu estava ficando quase louca de exasperação. Precisava ser pelo
menos duas naquele momento, uma para cuidar do machinho ferido e outra para orientar
aquela criatura humana que não parava de cutucar a pobre cadela morta. Pedi que por favor
ela parasse de chutar daquele jeito e a mulher me deu uma olhada cheia de estranheza e abobalhamento.  Fiz um esforço para falar delicadamente e expliquei que às vezes, apesar da aparência,  o animal na verdade não está morto, está apenas numa espécie de coma.

Enquanto isso o machinho atropelado continuava praticamente imóvel, apenas mexendo os olhos para lá e para cá, cheio de medo e tremendo sem parar. Comecei a perguntar aos rapazes e meninos que me rodeavam se eles sabiam quem era o dono dos animais. Segundo eles, a cadelinha era “de um homem ali que não ligava para ela” - claro que ele não ligava para ela! -, e o macho vivia perambulando com ela pelas nas redondezas, mas eles não sabiam se tinha dono.

Encaminhei-me para o carro. Eu precisava fazer alguma coisa.

- Renan, continua dois a zero?!

Ele balançou a cabeça afirmativamente, sem olhar para mim. Peguei uma manta que cobria o assento do banco traseiro e voltei para o lugar onde estava o atropelado. Uma coisa é certa: carro meu tem que ter capa para proteção dos bancos! Eu nunca sei o que pode acontecer, nem quando. Tenho que me lembrar de providenciar  essas capas o mais rápido possível.

A mulher agora balançava a cadelinha, puxando-lhe grosseiramente as patas dianteiras para um lado e para o outro. Mais parecia que ela estava pegando uma galinha morta, preparando-se para cortá-la  em pedaços antes de temperá-la na cozinha. Gritei novamente com ela, pedindo que parasse de fazer aquilo. Afinal,  eu não conseguia entender o que a mulher pretendia com aquilo.

Beirando o desespero, agachada junto ao cãozinho, levantei os olhos para a minha platéia,
que agora tinha diminuído sensivelmente – a maioria tinha voltado a jogar bola no campinho  ali perto.

Ainda analisando os rostos que me fitavam com curiosidade, comecei a fazer a proposta costumeira nessas ocasiões:

- Se eu levar o cachorrinho e tratar dele, será que alguém daqui pode adotá-lo?

Movimentos de cabeça indicando dúvida e titubeação.

- Gente, eu não posso levá-lo comigo.

- Então traga ele de volta e deixe por aqui mesmo – respondeu um dos rapazes.

- É, talvez eu precise fazer isso mesmo. – falei. – Mas imaginem, isso seria como  tirar uma criança da rua, dar a ela tratamento, abrigo, comida e amor, e, depois que ela estiver recuperada,
simplesmente devolvê-la às ruas. Não é fácil.

Todos pareceram entender e concordar. Mas ninguém se prontificava a ajudar de verdade,
ninguém trazia uma palavra que me desse a esperança de conseguir ajuda.
O que eu não podia era ficar ali. Atarantada, voltei ao carro para decidir onde acomodaria o bichinho. A mala estava lotada. Ele teria que ir no banco de trás, com mamãe.

Voltei para perto do cachorrinho e, nessa hora, os rapazes mais velhos voltaram a fazer parte do grupo.  Perguntaram se eu ia levá-lo. Respondi afirmativamente. Imediatamente, eles tomaram para si a tarefa de me ajudar a carregar o ferido. Foram todos uns amores.

Numa última tentativa de solucionar a questão, falei que provavelmente teria que trazê-lo de volta
dentro de alguns dias e que precisaria contar com a ajuda de todos eles. Vendo minha fisionomia
aflita e angustiada, eles disseram que eu poderia procurar por eles ali no campinho de futebol,
pois todas as tardes eles estão batendo bola por ali.

Carregamos o pacotinho para o carro. O bichinho se deixou levar sem um gemido ou arreganhar de dentes. E olhe que devia estar com muita dor.

Já no carro, fui dirigindo e tentando imaginar um nome adequado para ele. O jogo continuava e o Sport não conseguia se acertar, continuava apanhando do seu arqui-rival. O único nome que me vinha à mente era Kieza. Kieza, Kieza, Kieza! Mas eu não achava certo batizar meu novo amigo com o nome do artilheiro do adversário. Procurei um nome adequado entre o plantel do Sport, mas nenhum se encaixava direito.

Em certo momento, mamãe pediu que eu olhasse para trás. Enternecida, ela mostrava como o cãozinho tinha se aninhado com a cabeça no colo dela. Ele parecia bem mais tranquilo e seguro agora. De alguma forma, ele tinha compreendido que estava protegido.

Foi aí que Renan, que também tinha se virado para olhá-lo, falou:

- O nome dele devia ser Harry Potter, por causa desse ferimento na testa, que vai deixar uma cicatriz como a do Harry.

De fato, o atropelamento tinha lhe deixado uma ferida pequena na testa, um pouquinho acima do espaço entre os olhos.

Muito bem. Um detalhe a menos com que me preocupar. O nome ele já tinha. Mas resolvi que seria apenas Potter, para que ele se acostumasse mais rapidamente com o som cada vez que fosse chamado.

Taciturna, fiz o resto do caminho até casa alternando meus pensamentos entre a decepção com o meu time e a preocupação com mais essa criatura que eu estava levando para tratar.

Puxa vida! E se eu não tivesse ido ver o meu tio doente em Maria farinha? E se eu não tivesse saído mais cedo, tivesse esperado pelo final do jogo? E se eu tivesse feito o outro caminho, indo pela beira-mar?

Ora, é verdade que talvez eu tivesse me poupado de mais uma situação estressante.
Mas e ele, o Potter? O que teria sido dele? Será que alguém teria tomado alguma atitude para ajudá-lo?

Não, foi bom mesmo que eu estivesse passando por ali naquela hora. Vou me aperriar um bocado, vou ter algumas noites de sono agitado,  mas estou feliz de ter podido diminuir o sofrimento da pobre criaturinha.

Chegando a casa, acomodamos Potter num pequeno oitão coberto da casa de mamãe.
Ele ainda estava meio desconfiado, mas não deu qualquer trabalho. Não quis comer, mas eu não insisti, deixei-o sozinho para que se ambientasse melhor. Percebi que estava cheio de carrapatos,
e isso foi uma preocupação a mais no meu juízo.  Não posso ficar expondo meus próprios filhotes
a esses parasitas, e uma praga de carrapatos é tudo de que eu não preciso agora.

Antes de ir dormir, fui ver Potter mais uma vez. Dessa vez ele comeu um pouco de ração.
Fiquei alisando sua cabeça com carinho e ele começou a emitir um sonzinho de satisfação.
Cada vez que eu parava, ele puxava graciosamente minha mão com sua pata, pedindo que
eu continuasse com os afagos.

Hoje de manhã, aproximei-me do cantinho no oitão onde tinha deixado uma caixa de papelão
para servir de abrigo para ele e chamei o seu nome. Ele levantou todo alegre, andando normalmente e balançando o rabo fino. Foi um alívio constatar que suas patas estavam perfeitas.

No meio da manhã, saí para comprar sabonete contra carrapatos e um carrapaticida para pulverizar no ambiente. Esperei o dia esquentar e me preparei para dar um bom banho em Potter. Ele é um doce de cachorrinho, não esboça qualquer agressividade. Ficou ali tremendo de frio, me olhando com um olhar agradecido, apesar de tudo. É engraçado como ele praticamente entende o que eu falo e como já atende pelo novo nome.

Agora preciso correr na divulgação de Potter. Tenho que vaciná-lo e castrá-lo o mais rápido possível. Não tenciono deixá-lo naquela estrada novamente, a não ser que seja absolutamente necessário. Não posso largá-lo ali depois de tê-lo feito experimentar carinho, cuidados e atenção. Depois de dar a ele comida numa vasilha limpa e decente. Depois de preparar um lugarzinho quente forrado com papelão para que ele não sinta frio à noite.

Mas a razão me diz que eu também não posso ficar com Potter.


Peço a Deus  que me ajude a arrumar alguém que tenha muito amor para dar a ele, alguém que conheça o valor da amizade sincera de um cão e que permita que esse cachorrinho especial possa demonstrar toda a gratidão de que é capaz...



sábado, 22 de outubro de 2011

Nárnia, uma gatinha quase atropelada na rua

A pequena Nárnia estava chorando debaixo de um carro e quase foi atropelada.
Quando foi resgatada, tremia de medo e o coração galopava disparado no peito magrinho.
Nárnia tem apenas dois meses de vida, mas sua sorte pode mudar se ela for adotada.
Será entregue vacinada e castrada.

Contato

81-9963 34 11rededeadocaodeanimaisdorecife@gmail.com







quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pipo - Poodle preto idoso desaparecido de Boa Viagem

Repassando pedido de ajuda - Família desesperada

"Venho aqui pedir encarecidamente a sua ajuda também.
O meu bebê, meu poodle preto, Pipo, desapareceu de casa no dia 20 de setembro à tarde e ainda não conseguimos encontrá-lo. Estamos todos desesperados, não conseguimos dormir direito. Minha avó de quase 90 anos está muito triste e eu e a minha mãe só fazemos chorar toda vez que entramos em casa e não o encontramos. 

Ele foi "agarrado" por um drogado que tentou vendê-lo no mercado de Boa Viagem por 10 reais. Não conseguiram e trouxeram ele para a comunidade da Veloso, que fica aqui perto. Outras pessoas prenderam ele por lá e quando eu cheguei disseram que ele havia fugido há alguns dias, muito assustado.
Foi visto um poodle com as descrições dele também próximo ao Shopping Recife no dia 06 de outubro, mas não consegui encontrá-lo para ver se era o meu bebê e ninguém também mais o viu.
Até hoje estou na busca..... 

Ele tem 8 anos, é preto mas já um pouco grisalho, principalmente na orelhinha e nas patinhas, devido a idade. É de pequeno porte, mas não é micro.
Quando ele desapareceu estava sem tosa, peludinho, e cheio de cachinhos. Pipo não enxerga bem de um olho (tem um pouco de catarata)
Por favor, ajudem-nos.

Paula 
81 - 9151.4787

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os lindos filhotes de Clarinha

Essas são as fotos de Clara e seus bebês.
Não foi fácil entrar embaixo da rampa e me arrastar em um espaço no qual mal conseguia levantar a cabeça, mas valeu muito o sacrifício!
Todos serão entregues vacinados e vermifugados, sendo que após 6 meses nos comprometemos a realizar a cirurgia de castração. A Clarinha será castrada assim que parar de amamentar.
Passamos agora para a segunda fase, que é encontrar adotantes que dêem a esses anjinhos lares definitivos, muito amor e segurança.
Solicito por favor que divulguem. Eles são lindos e a mamãe também, muito dócil, calma e ótima com outros animais. Enfim, seria uma grande companheira.

Giane - (81) 3326-1069

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Testemunho - A última pescaria

Ontem fui à Bienal do Livro. Aproveitei para prestigiar o trabalho da querida amiga e protetora Mariluce, responsável pelo stand da Editora IRDIN na Bienal.
 
Lá eu conheci um homem cujo nome não sei dizer. Durante um rápido colóquio, ele contou que já era vegetariano há alguns anos quando, numa pescaria, atividade que muito apreciava, ao trazer da água um peixe enganchado no anzol, ouviu da pobre criatura capturada uns guinchos fraquinhos, um choro pungente, verdadeira manifestação do sofrimento de quem sabia que a vida se acabava ali. No meio da dor do animal, a dor do homem foi despertada também. A partir dali, pescaria nunca mais na vida dele, que hoje é adepto do veganismo.
 
Apenas queria compartilhar isso com vocês.
 
Boa noite.
 
Zarela
 
"Os veganos boicotam qualquer produto de origem animal (alimentar ou não), além de produtos que tenham sido testados em animais ou que incluam qualquer forma possível de exploração animal nos seus ingredientes ou processos de manufactura.
Para o vegano, animais não existem para os humanos, assim como o negro não existe para o branco nem a mulher para o homem. Cada animal é dono de sua própria vida, tendo assim o direito de não ser tratado como propriedade (enfeite, entretenimento, comida, cobaia, mercadoria, etc). Dessa forma veganos propõem uma analogia entre especismo, racismo, sexismo e outras formas de preconceito e discriminação.
Preferem usar os termos "animais não-humanos" ou "seres sencientes", em vez de "irracionais".
Muito importante diferenciar a ideologia vegana da dieta vegetariana. Veganismo não é dieta, mas sim uma ideologia baseada nos direitos animais, que obviamente pressupõe uma alimentação estritamente vegetariana".
 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Paraíso


PARAÍSO
Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar,
não para automóvel matar gente,
mas para criança brincar.

Se esta rua fosse minha,
eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores,
onde é que os pássaros vão morar?

Se este rio fosse meu
eu não deixava poluir.
Joguem esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.

Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.

José Paulo Paes


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Revista Seleções | Uma lição de amor

Revista Seleções Uma lição de amor

Gaiolas de portas abertas - Uma forma de protestar

Protesto do meu amigo Estelita:


"Sou total totalmente contra manter pássaros presos em gaiolas, acho uma tremenda falta de sensibilidade, falta de visão e total desrespeito com a natureza ... Essa questão para mim não faz o menor sentido. Então, como protesto, eu comprei uma pequena gaiola no mercado de Boa Viagem (R$15,00) e pendurei no hall do meu andar, ao lado do elevador de serviço. A gaiola permanecerá sempre com a porta aberta, inclusive com água e alpiste - se tiver que surgir algum pássaro, a porta está aberta para que ele possa entrar e sair quando quiser...".

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para adotar gatinhas castradas

Repassando:
" Acidentalmente minha gatinha ficou grávida, pq a veterinaria  alegou ser muito nova para esterelizar,  dizendo q a idade ideal era 7 meses. Acontece que com 5 meses ela engravidou e teve 5 filhotes – um macho e quatro fêmeas.
Eles nasceram dia 18 de fevereiro de 2011.  A mãe é angorá e o pai, siamês. Por favor, eu imploro:  divulguem para outras pessoas. Estou precisando doá-las com urgencia. Todas estão esterilizadas e vermifugadas.
Para quem tem preconceito com os felinos, vou ser breve no meu testemunho. Há  8 meses, Princesa, minha gata,  apareceu aqui em casa muito magra e muito assustada. Eu a alimentei e depois de algumas horas dei banho, meio receosa, pois, acreditem, eu ODIAVA GATOS. Mas, através dessa peluda, me dei a oportunidade de conhecer o universo FELINO.  Desde então, só tive alegria.
São bichinhos muito inteligentes, limpos (sim, eles sabem desde cedo onde fazer suas necessidades).  Se nao avistam areia, eles correm pro banheiro e fazem no ralo (isso mesmo, desde cedo eles tem noção disso).
 Enfim, gostei tanto q adotei mais 2 gatinhos, que hoje são os xodós da casa. Fazem cafuné no meu cabelo, pedem p brincar e adoram carinhos.

Aline Vilarim (alinebav@hotmail.com). "


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mamãe e oito lindos filhotes na rua

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: amaro barretto albuquerque <barrettoalbuquerque@hotmail.com>
Data: 24 de agosto de 2011 22:01
Assunto: Estão Precisando de familias


Amigos,
Esta madrugada esta senhora ganhou 08(oito) lindos filhotes.
Isto ocorreu no estacionamento do Bradesco da Conde da Boa Vista,
vizinho ao edifício-garagem Zymont Katz.
Estão necessitando, urgentemente,  de pessoas de bom coração
para adotá-los.
Estamos fazendo tudo que é necessario para assistí-los,
contando inclusive com a colaboração de alguns funcionarios do Bradesco e do Estacionamento.
Ajude-nos, repassando às pessoas q vcs conhecem.


domingo, 17 de julho de 2011

rededeadocaodeanimaisdorecife: 2 reais mensais para ajudar a SOS 4 Patas

rededeadocaodeanimaisdorecife: 2 reais mensais para ajudar a SOS 4 Patas: "Repassando pedido da ONG SOS 4 PATAS: O trabalho da SOS 4 PATAS é muito árduo, muitos nem imaginam que os animais de um abrigo precisam d..."

2 reais mensais para ajudar a SOS 4 Patas

Repassando pedido da ONG SOS 4 PATAS:


O trabalho da SOS 4 PATAS é muito árduo, muitos nem imaginam que os animais de  um abrigo precisam de comida, vasilhas, material de limpeza, veterinário, remédios... e pessoas que cuidem deles.  
As pessoas esperam  sempre que resolvamos tudo - maus tratos, atropelamento, consultas. Imaginam que precisam só ligar e serem atendidas. Não entendem que os gastos que envolvem uma denuncia ultrapassam nossas  condições financeiras (que já são poucas). A maioria das instituições vivem exclusivamente  de doações, e seus  voluntários precisam trabalhar. Alguns não têm ao menos meio de transporte  próprio, precisando se deslocar de ônibus, depois de um cansativo dia de trabalho, até o local para atender uma denuncia, ou ainda gastar horas no celular para sanar o problema que não pode esperar até ele cumprir sua jornada de trabalho.

Há 2 anos a  SOS 4 Patas começou uma construção para abrigar melhor seus animais, mas até hoje não conseguiu sequer fazer o muro para dar uma estrutura segura  aos animais.

Vejam a lista dos gastos mensais  da SOS  4 Patas: 
4 sacas de ração  ou arroz  de 25k para cães (qualquer marca) 
6 sacas de ração de 25k para gatos (qualquer marca)  
2 sacas de ração de 40kl para cavalos (qualquer marca) 
R$ 200,00 reais  (aluguel da baia de Cristovão, o cavalo que resgatamos do sofrimento) (quem  pagou este mês foi a veterinária dele,  ñ sei como será o próximo  mês)
R$ 50,00  reais  com uma castração de urgência para uma gatinha que estava grávida, mas a dona deu uma injeção para evitar gravidez (gasto extra)

Bem, deixo nossa conta poupança (poupança pq ñ podemos arcar com a manutenção de uma conta corrente). Quem puder ajudar, ou ao menos divulgar as nossas necessidades, estará contribuindo para que o nosso trabalho siga adiante.

Se vc doar regularmente ao menos  R$ 2,00 (dois)  reais por  mês, vai estar contribuindo muito para que muitos animais sejam salvos.

 Caixa  Economica 
  Ag.1583
  Op  013 
  C/C 028996-0

Se alguém está se perguntando   "Ora bolas, por que não jogam tudo para o alto e esquecem, já que não podem se manter sózinhos?", eu respondo: nosso respeito e preocupação com o  bem estar dos animais é maior que tudo isso.

Muito obrigada.

Conceição Maciel.

A história de Lucy

Vim pedir sua ajudar pra que Lucy seja adotada,. Ela está comigo desde julho do ano passado e a história dela é o seguinte:
Tava passando de carro no centro de Jaboatão num dia de chuva muito forte e vi quando um moto taxi a chutou várias vezes e o último foi tão forte que ela cruzou a pista e ficou sangrando toda arrebentada....fiquei com aquela imagem horrível na cabeça e quando voltei depois de 1 hora e meia ela estava lá na rua se arrastando, não tive dúvidas, parei o carro, arrumei papelão e pedi ajuda
pra colocar ela no carro, trouxe pra casa fiz uma cama bem quentinha e ela dormiu direto. Ela não acordava pra nada, liguei pra uma vet q falou q era normal já que ela não podia dormir direito na rua, estava magra e cuidei dos ferimentos e dava rins e fígados frescos na boca enquanto dormia. No terceiro dia ela levantou, muito magrinha e a barriga arrastando, levei a vet e lá tomou banho e foi receitada vitaminas, uma semana depois deu a luz a 7 filhotinhos, todos foram adotados e ficaram bem, fiz uma campanha e consegui lar pra todos (Lara, Luan, Leon, Fiuk, Kadu, Luca e Sofhie),
 Lucy está vacinada e vermifugada, é alegre, brincalhona e gosta de espaço para correr e brincar, de preferência solicito donos que tenham tempo pra ela pra que possa passear e brincar, ela é muito carente e depois que seus filhotes foram adotados ela ficou diferente. Por favor peço que me ajudem, minha mãe vai fazer uma cirurgia e não posso ficar com todos eles, não queria coloca-la na rua de novo depois de todo esse trabalho e nem coloca-la em abrigo. Qualquer coisa entrem em contato com o fone  abaixo ou mande email (claralins18@hotmail.com)

Clara (81 - 8516-4809)