O FAMIGERADO CVA
(Marcus Acioly)
Finalmente a polícia (quem poderia ser senão a força?) às vésperas do carnaval, desmascarou – este é o termo - e desbaratou o famigerado Centro de Vigilância Ambiental do Recife (CVA), que transformou o ex-matadouro (de bois) dos Peixinhos em Matadouro de Cães (que alguém ousou chamar de nascedouro). A competente titular da Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (guardem este nome), Nely Queiroz, responsável pelo inquérito, apurou as denúncias de maus tratos e sacrifícios de animais naquele degradado ambiente e indiciou três elementos - digo - três maus elementos. Quem são eles, leitor? Diretores do CVA: o contumaz e empedernido assassino de cães – Amaro Fábio de Albuquerque Souza- e seu sanguinário comparsa, Otoniel Freire de Barros Neto. Os tais foram indiciados por crimes contra a administração ambiental e ainda vão responder, com o veterinário responsável técnico do CVA – José Antonio da Silva Santos –, pelo crime de maus tratos contra animais. Imagine o leitor em que faculdade estudou esse monstruoso veterinário – que deveria ter de imediato, carteira e diploma cassados pelo conselho de Medicina Veterinária - para matar cães saudáveis e indefesos, envergonhando a nobre profissão.
A investida policial foi chamada, adequadamente, de Sexta Feira 13, pois tudo não passou de exibição e reprise de um verdadeiro filme de terror. Aliás, a foto publicada no jornal, exibindo cães mortos e empilhados, mereceria como epíteto macabro a frase de Joseph Conrad: “O horror! O horror! As estatísticas são alarmantes: no ano de 2010 foram sacrificados 4.334, e no ano de 2011, 2.494. Mesmo assim, os números do CVA ainda são mentirosos, pois se o portal anunciava, entre os meses de julho e dezembro de 2010, 691 casos, as fichas do Centro registraram 962 casos, uma diferença de 271 mortes. O caso do CVA é, realmente um caso de polícia. Hitler, se se dedicasse aos cães, não faria por menos. Diante desses três serial killers, a abominável Kamilla, que torturou e assassinou a cadelinha yorkshire chamada Lana, em Goiás, não passa de uma marginal dente de leite. O tal Amaro ainda foi levado a delegacia e autuado em flagrante, mas pagou fiança (ou pagaram por ele) e foi liberado, claro, para brincar o carnaval. A esperança –ou esperância” (espera + ânsia) é que o ministério Público de Pernambuco também foi solicitado para apurar as irregularidades criminosas do CVA e a OAB-PE vai dizer da legalidade do órgão, que não tem regulamento. Não é possível que a prefeitura cruze os braços diante de tal morticínio ou tente justificar que, no Recife, a morte indiscriminada de animais tem respaldo jurídico e legal!
Como o filosofo grego – Hegesias – que pregava o suicídio, mas ele próprio não praticava, por não ter quem pregasse em seu lugar, morre nos Estados Unidos, aos 83 anos, o médico Jack Kevorkian, conhecido no mundo como o Doutor Morte – mestre dos “suicídios piedosos”. Kevorkian, que se tornou filme com Al Pacino, dirigido Barry Levinson, reabre o questionamento da eutanásia, que (do grego – euthanasia – “morte sem sofrimento) só é cogitada (e nunca deveria ser) no caso de doentes com afecção incurável e dores intoleráveis. Não obstante, o CVA do Recife, embora usando cães como “cobaias”, pode ofertar ao mundo seu know–how: a sua competência e experiência e exercício na arte de matar. Leitor, é o homem do Terceiro Mundo ou do Terceiro Milênio que se tornou tão incivilizado! Como ainda podemos ter homens bárbaros e brutos como esses três carrascos de cachorros? Por favor, olhe demoradamente para os olhos de um cão, de qualquer cão (os mortos da foto têm os olhos fechados) e leia aquela frase –dita por Kafka- escrita no reverso:”Eis que um dia, no fundo dos olhos do cão, a nossa própria velhice nos olha lacrimejante”.
Há outra esperância, a de que, quando os três verdugos chegarem e baterem à porta do inferno, sejam recebidos pelo Cão Cérbero que, com suas três bocas, em vez de abocanhar –à Dante Alighiere – os três maiores traidores da história – Judas, Brutus e Cássio –, possa segurar nos dentes os três maiores matadores de cães da história: Amaro, Otoniel e José Antônio.
Ai de ti Recife! Ai dos teus animais, das tuas árvores!
· Marcus Acioly é poeta
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