Repassando texto que recebi hoje, sobre o péssimo estado dos animais do Zoo de Dois Irmãos, em Recife.
"Olá pessoal!
Escrevi hoje o texto abaixo inspirado devido a uma visita que fiz ao Parque Estadual Dois Irmãos, o zoológico de Recife.
Espero que sirva para inspirar e/ou mobilizar mais pessoas a fazerem algo para mudar a trágica situação daquele lugar.
Abraços!
PARQUE DOIS IRMÃOS: NÃO HÁ MAIS DEGRAUS A DESCER!
Visito o zoológico do Parque Dois Irmãos há muitos anos, desde a infância. Se me recordo (e tenho boa memória), nunca passei um ano sem fazer, ao menos, uma visita. Por acasos do destino e do curso de biologia, consegui realizar um estágio lá na Divisão de Veterinária e Biologia durante o ano de 2007 até meados de 2008. Na época e mesmo agora, olhando para trás, percebo quão enriquecedora foi esta experiência. Não só aprendi coisas novas sobre biologia e manejo de animais em cativeiro, mas também sobre relações humanas, e fiz amizades tanto com pessoas quanto com animais.
Tristemente, é, em nomes destes últimos, que me vejo forçado a redigir estas palavras. Hoje, 17/02/2012, mesmo diante das condições adversas (chuva), fiz mais uma visita ao zoológico. Tinha esperanças (poucas e ilusórias, admito), assim como em todas as visitas que realizei desde que sai do estágio, de encontrar o lugar em melhor situação e os animais com condições de vida melhores. E foi, como nas visitas anteriores, mais uma grande decepção. Talvez maior e mais chocante do que as predecessoras, pois a chuva serviu para reforçar quão baixas estão as condições de vida dos animais cativos. Além dos recintos arcaicos de concepção ultrapassada onde muitos se encontram, eles ainda têm que habitar um ambiente úmido, com escoamento de água e ventilação deficientes, criando um verdadeiro “meio de cultura” para fungos, bactérias e outros organismos potencialmente patogênicos. O resultado disso é que um bom número daqueles “amigos” animais que fiz durante o estágio já não se encontram mais lá. Entre eles incluem-se mamíferos de médio e grande porte, animais carismáticos e que chamam a atenção, alguns pertencentes até mesmo a espécies ameaçadas de extinção.
Sai desta visita ao zoológico mais perplexo e mergulhado em pensamentos do que de costume. Me pergunto se outros visitantes, aqui e acolá, também não saíram com os mesmos sentimentos. Enquanto escrevo estas palavras, me pergunto onde estão as ONGs de defesa ambiental e animal de PE? Será que estão caladas porque se venderam ao governo do estado? Ou porque só se preocupam com cães e gatos de rua? Claro que devemos nos preocupar com os animais de rua (eu também me preocupo), mas não podemos - nem devemos - esquecer do bem-estar dos animais selvagens cativos mantidos nos zoológicos daqui do estado. E a imprensa? Será ela tão míope ou irresponsável ao ponto de não ler, ou assistir, suas próprias matérias feitas sobre o Parque Dois Irmãos antes de fazer as seguintes? Ou será que simplesmente engole os argumentos rasos e estapafúrdios da equipe do zoológico e secretaria de meio ambiente? Do governo do estado, eu não espero nada. Se este não se preocupa em fornecer qualidade de vida aos seus cidadãos, porque se importaria com os animais do zoológico? Como disse certa vez a amigos e colegas do curso de biologia, por mais espetaculares e magníficos que sejam, leões, tigres, onças e chimpanzés não votam. Estes e vários outros animais do zoológico dependem de nós para sermos suas vozes.
Algum tempo atrás, uma amiga brincou dizendo que o zoológico do Parque Dois Irmãos era um “Titanic”, afundando rumo às profundezas. Infelizmente, nesse caso, ao contrário do famoso navio, não há botes salva-vidas para nenhum dos seus “passageiros” animais. Eles estão fadados a ficarem a bordo deste “navio”, seja lá qual for o curso que ele tome. São como cegos numa escada, subindo ou descendo os degraus, totalmente dependentes da nossa orientação, que - no presente momento - parece conduzi-los à derrocada. Tragicamente, torno-me cada vez mais ciente de que no zoológico do Parque Dois Irmãos, que já foi referência no Norte/Nordeste, está chegando a hora em que não haverá mais degraus a descer!"
Visito o zoológico do Parque Dois Irmãos há muitos anos, desde a infância. Se me recordo (e tenho boa memória), nunca passei um ano sem fazer, ao menos, uma visita. Por acasos do destino e do curso de biologia, consegui realizar um estágio lá na Divisão de Veterinária e Biologia durante o ano de 2007 até meados de 2008. Na época e mesmo agora, olhando para trás, percebo quão enriquecedora foi esta experiência. Não só aprendi coisas novas sobre biologia e manejo de animais em cativeiro, mas também sobre relações humanas, e fiz amizades tanto com pessoas quanto com animais.
Tristemente, é, em nomes destes últimos, que me vejo forçado a redigir estas palavras. Hoje, 17/02/2012, mesmo diante das condições adversas (chuva), fiz mais uma visita ao zoológico. Tinha esperanças (poucas e ilusórias, admito), assim como em todas as visitas que realizei desde que sai do estágio, de encontrar o lugar em melhor situação e os animais com condições de vida melhores. E foi, como nas visitas anteriores, mais uma grande decepção. Talvez maior e mais chocante do que as predecessoras, pois a chuva serviu para reforçar quão baixas estão as condições de vida dos animais cativos. Além dos recintos arcaicos de concepção ultrapassada onde muitos se encontram, eles ainda têm que habitar um ambiente úmido, com escoamento de água e ventilação deficientes, criando um verdadeiro “meio de cultura” para fungos, bactérias e outros organismos potencialmente patogênicos. O resultado disso é que um bom número daqueles “amigos” animais que fiz durante o estágio já não se encontram mais lá. Entre eles incluem-se mamíferos de médio e grande porte, animais carismáticos e que chamam a atenção, alguns pertencentes até mesmo a espécies ameaçadas de extinção.
Sai desta visita ao zoológico mais perplexo e mergulhado em pensamentos do que de costume. Me pergunto se outros visitantes, aqui e acolá, também não saíram com os mesmos sentimentos. Enquanto escrevo estas palavras, me pergunto onde estão as ONGs de defesa ambiental e animal de PE? Será que estão caladas porque se venderam ao governo do estado? Ou porque só se preocupam com cães e gatos de rua? Claro que devemos nos preocupar com os animais de rua (eu também me preocupo), mas não podemos - nem devemos - esquecer do bem-estar dos animais selvagens cativos mantidos nos zoológicos daqui do estado. E a imprensa? Será ela tão míope ou irresponsável ao ponto de não ler, ou assistir, suas próprias matérias feitas sobre o Parque Dois Irmãos antes de fazer as seguintes? Ou será que simplesmente engole os argumentos rasos e estapafúrdios da equipe do zoológico e secretaria de meio ambiente? Do governo do estado, eu não espero nada. Se este não se preocupa em fornecer qualidade de vida aos seus cidadãos, porque se importaria com os animais do zoológico? Como disse certa vez a amigos e colegas do curso de biologia, por mais espetaculares e magníficos que sejam, leões, tigres, onças e chimpanzés não votam. Estes e vários outros animais do zoológico dependem de nós para sermos suas vozes.
Algum tempo atrás, uma amiga brincou dizendo que o zoológico do Parque Dois Irmãos era um “Titanic”, afundando rumo às profundezas. Infelizmente, nesse caso, ao contrário do famoso navio, não há botes salva-vidas para nenhum dos seus “passageiros” animais. Eles estão fadados a ficarem a bordo deste “navio”, seja lá qual for o curso que ele tome. São como cegos numa escada, subindo ou descendo os degraus, totalmente dependentes da nossa orientação, que - no presente momento - parece conduzi-los à derrocada. Tragicamente, torno-me cada vez mais ciente de que no zoológico do Parque Dois Irmãos, que já foi referência no Norte/Nordeste, está chegando a hora em que não haverá mais degraus a descer!"

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