sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O famigerado CVA

O FAMIGERADO CVA
(Marcus Acioly)


Finalmente a polícia (quem poderia ser senão a força?) às vésperas do carnaval, desmascarou – este é o termo - e desbaratou o famigerado Centro de Vigilância Ambiental do Recife (CVA), que transformou o ex-matadouro (de bois) dos Peixinhos em Matadouro de Cães (que alguém ousou chamar de nascedouro). A competente titular da Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (guardem este nome), Nely Queiroz, responsável pelo inquérito, apurou as denúncias de maus tratos e sacrifícios de animais naquele degradado ambiente e indiciou  três elementos - digo - três maus elementos. Quem são eles, leitor? Diretores do CVA: o contumaz e empedernido assassino de cães – Amaro Fábio de Albuquerque Souza- e seu sanguinário comparsa, Otoniel Freire de Barros Neto. Os tais foram indiciados por crimes contra a administração ambiental e ainda vão responder, com o veterinário responsável técnico do CVA – José Antonio da Silva Santos –, pelo crime de maus tratos  contra animais. Imagine o leitor em que faculdade estudou esse monstruoso veterinário – que deveria ter de imediato, carteira e diploma cassados pelo conselho de Medicina Veterinária - para matar cães saudáveis e indefesos, envergonhando a nobre profissão.

A investida policial foi chamada, adequadamente, de Sexta Feira 13, pois tudo não passou de exibição e reprise de um verdadeiro filme de terror. Aliás, a foto publicada no jornal, exibindo cães mortos e empilhados, mereceria como epíteto macabro a frase de Joseph Conrad: “O horror! O horror! As estatísticas são alarmantes: no ano de 2010 foram sacrificados 4.334, e no ano de 2011, 2.494. Mesmo assim, os números do CVA ainda são mentirosos, pois se o portal anunciava, entre os meses de julho e dezembro de 2010, 691 casos, as fichas do Centro registraram 962 casos, uma diferença de 271 mortes. O caso do CVA é, realmente um caso de polícia. Hitler, se se dedicasse aos cães, não faria por menos. Diante desses três serial killers, a abominável Kamilla, que torturou e assassinou a cadelinha yorkshire chamada Lana, em Goiás, não passa de uma marginal  dente de leite. O tal Amaro ainda foi levado a delegacia e autuado em flagrante, mas pagou fiança (ou pagaram por ele) e foi liberado, claro, para brincar o carnaval. A esperança –ou esperância” (espera + ânsia) é que o ministério Público de Pernambuco também foi solicitado para apurar as irregularidades criminosas do CVA e a OAB-PE vai dizer da legalidade do órgão, que não tem regulamento. Não é possível que a prefeitura cruze os braços diante de tal morticínio ou tente justificar que, no Recife, a morte indiscriminada de animais tem respaldo jurídico e legal!

Como o filosofo grego – Hegesias – que pregava o suicídio, mas ele próprio não praticava, por não ter quem pregasse em seu lugar, morre nos Estados Unidos, aos 83 anos, o médico Jack Kevorkian, conhecido no mundo como o Doutor  Morte – mestre dos “suicídios piedosos”. Kevorkian, que se tornou filme com Al Pacino, dirigido Barry Levinson, reabre o questionamento da eutanásia, que (do grego – euthanasia – “morte sem sofrimento) só é cogitada (e nunca deveria ser) no caso de doentes com afecção incurável e dores intoleráveis. Não obstante, o CVA do Recife, embora usando cães como “cobaias”, pode ofertar ao mundo seu know–how: a sua competência e experiência e exercício na arte de matar. Leitor, é o homem do Terceiro Mundo ou do Terceiro Milênio que se tornou tão incivilizado! Como ainda podemos ter homens bárbaros e brutos como esses três carrascos de cachorros? Por favor, olhe demoradamente para os olhos de um cão, de qualquer cão (os mortos da foto têm os olhos fechados) e leia aquela frase –dita por Kafka- escrita no reverso:”Eis que um dia, no fundo dos olhos do cão, a nossa própria velhice nos olha lacrimejante”.

Há outra esperância, a de que, quando os três verdugos chegarem e baterem à porta do inferno, sejam recebidos pelo Cão  Cérbero que, com suas três bocas, em vez de abocanhar –à Dante Alighiere – os três maiores traidores da história – Judas, Brutus e Cássio –, possa segurar nos dentes os três maiores matadores de cães da história: Amaro, Otoniel e José Antônio. 

Ai de ti Recife! Ai dos teus animais, das tuas árvores!

·        Marcus Acioly é poeta

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

PARQUE DOIS IRMÃOS: NÃO HÁ MAIS DEGRAUS A DESCER!

Repassando texto que recebi hoje, sobre o péssimo estado dos animais do Zoo de Dois Irmãos, em Recife.
 
"Olá pessoal!
 
Escrevi hoje o texto abaixo inspirado devido a uma visita que fiz ao Parque Estadual Dois Irmãos, o zoológico de Recife.
Espero que sirva para inspirar e/ou mobilizar mais pessoas a fazerem algo para mudar a trágica situação daquele lugar.
 
Abraços!
 
PARQUE DOIS IRMÃOS: NÃO HÁ MAIS DEGRAUS A DESCER!
Visito o zoológico do Parque Dois Irmãos há muitos anos, desde a infância. Se me recordo (e tenho boa memória), nunca passei um ano sem fazer, ao menos, uma visita. Por acasos do destino e do curso de biologia, consegui realizar um estágio lá na Divisão de Veterinária e Biologia durante o ano de 2007 até meados de 2008. Na época e mesmo agora, olhando para trás, percebo quão enriquecedora foi esta experiência. Não só aprendi coisas novas sobre biologia e manejo de animais em cativeiro, mas também sobre relações humanas, e fiz amizades tanto com pessoas quanto com animais.
Tristemente, é, em nomes destes últimos, que me vejo forçado a redigir estas palavras. Hoje, 17/02/2012, mesmo diante das condições adversas (chuva), fiz mais uma visita ao zoológico. Tinha esperanças (poucas e ilusórias, admito), assim como em todas as visitas que realizei desde que sai do estágio, de encontrar o lugar em melhor situação e os animais com condições de vida melhores. E foi, como nas visitas anteriores, mais uma grande decepção. Talvez maior e mais chocante do que as predecessoras, pois a chuva serviu para reforçar quão baixas estão as condições de vida dos animais cativos. Além dos recintos arcaicos de concepção ultrapassada onde muitos se encontram, eles ainda têm que habitar um ambiente úmido, com escoamento de água e ventilação deficientes, criando um verdadeiro “meio de cultura” para fungos, bactérias e outros organismos potencialmente patogênicos. O resultado disso é que um bom número daqueles “amigos” animais que fiz durante o estágio já não se encontram mais lá. Entre eles incluem-se mamíferos de médio e grande porte, animais carismáticos e que chamam a atenção, alguns pertencentes até mesmo a espécies ameaçadas de extinção. 
Sai desta visita ao zoológico mais perplexo e mergulhado em pensamentos do que de costume. Me pergunto se outros visitantes, aqui e acolá, também não saíram com os mesmos sentimentos. Enquanto escrevo estas palavras, me pergunto onde estão as ONGs de defesa ambiental e animal de PE? Será que estão caladas porque se venderam ao governo do estado? Ou porque só se preocupam com cães e gatos de rua? Claro que devemos nos preocupar com os animais de rua (eu também me preocupo), mas não podemos - nem devemos - esquecer do bem-estar dos animais selvagens cativos mantidos nos zoológicos daqui do estado. E a imprensa? Será ela tão míope ou irresponsável ao ponto de não ler, ou assistir, suas próprias matérias feitas sobre o Parque Dois Irmãos antes de fazer as seguintes? Ou será que simplesmente engole os argumentos rasos e estapafúrdios da equipe do zoológico e secretaria de meio ambiente? Do governo do estado, eu não espero nada. Se este não se preocupa em fornecer qualidade de vida aos seus cidadãos, porque se importaria com os animais do zoológico? Como disse certa vez a amigos e colegas do curso de biologia, por mais espetaculares e magníficos que sejam, leões, tigres, onças e chimpanzés não votam. Estes e vários outros animais do zoológico dependem de nós para sermos suas vozes.
Algum tempo atrás, uma amiga brincou dizendo que o zoológico do Parque Dois Irmãos era um “Titanic”, afundando rumo às profundezas. Infelizmente, nesse caso, ao contrário do famoso navio, não há botes salva-vidas para nenhum dos seus “passageiros” animais. Eles estão fadados a ficarem a bordo deste “navio”, seja lá qual for o curso que ele tome. São como cegos numa escada, subindo ou descendo os degraus, totalmente dependentes da nossa orientação, que - no presente momento - parece conduzi-los à derrocada. Tragicamente, torno-me cada vez mais ciente de que no zoológico do Parque Dois Irmãos, que já foi referência no Norte/Nordeste, está chegando a hora em que não haverá mais degraus a descer!"